Ao visitante

À Procura do Impossível trata-se dos momentos nos quais me lembro que, por trás do cotidiano, existem coisas incríveis.

B.W Riccardo


domingo, 4 de janeiro de 2015

Cruzando fronteiras

"Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber? " ( Pois os judeus não se dão bem com os samaritanos. ) João 4.9

“...fui estrangeiro, e vocês me acolheram.” Mateus 25.35

"Os sábios não se apressam em dar nomes às realidades. Eles demoram os olhos na realidade e sabem apreciá-las sem pressa... O olhar apressado é a matriz de todo preconceito". Fabio de Melo



Não tenho simpatia por argentinos. Na minha infância, todos que eu havia encontrado eram amáveis, mas aqueles certamente devem ter sido exceções.
“É simples”, pensava eu, “eles não gostam de mim e nem eu deles”. Programado assim, embarquei em um voo para Buenos Aires em outubro de 2010, seguindo ordens do patrão, é claro.

Encontrei beleza e pobreza lá. Mazelas terríveis, e ao contrário do que me programei, lamentei por eles.

Deus nos desarma com atos de atos de bondade. Uma funcionária do hotel onde estava hospedado, sempre que podia me parava. Queria saber de onde eu era, o que fazia, sempre tão gentil. Uma coisa é ser notado, outra é receber atenção.

Eu estava desprevenido para uma simples comunhão. Havia me preparado apenas para atos de hostilidade. Me sentia incapaz de conversar, não apenas por que a língua era outra, mas por que tempos atrás já havia sentenciado o que eu não conhecia.

O que mais me surpreendeu na Argentina foram as pessoas. Uma senhora notou que eu estava perdido, e tentou de todas as formas me ajudar. Um taxista narrou a mim seu deslumbramento pela beleza do Brasil que eu ainda não havia percebido. O dono de um restaurante fez questão de sentar-se comigo para conversar enquanto eu almoçava. Gastaram tempo comigo, e o tempo de alguém te faz sentir importante, de alguma forma.

Em certos momentos, é claro, eu sentia o olhar que diz: “você não é um de nós”, mas isso eu já conhecera antes por aqui. O que eu ainda não havia conhecido era a necessidade de acolhimento de um estrangeiro.


Há certamente inúmeras pessoas estúpidas na Argentina, como há no Brasil e em todo lugar, mas haverá sempre por aí pessoas famintas por relacionamento, elas não levantaram para si barreiras, por isso me impressiona a capacidade de se aproximar e compartilhar. Espero da próxima vez estar preparado para quando Deus me levar até elas.  
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