Ao visitante

À Procura do Impossível trata-se dos momentos nos quais me lembro que, por trás do cotidiano, existem coisas incríveis.

B.W Riccardo


domingo, 11 de janeiro de 2015

Pintando a Jesus

Conheci a historia de Stanley através de um documentário da BBC. Stanley Spencer era oriundo de Coockham, uma pequena cidade inglesa.  

Coockham, sua pequena cidade natal, era o seu prazer. Sua vida pacata, seus amigos, o cenário pitoresco e bucólico de sua terra, deixaram em Stanley uma profunda impressão que tornou não apenas a marca de sua obra, mas de sua própria identidade. “Olá, sou Stanley de Cookham”, era como sempre se apresentava o velho Stanley até sua morte em 1959.  

Stanley se alistou para a 1ª guerra mundial como auxiliar do corpo médico de seu país. Pode ser, que para alguém com a sensibilidade artística de Stanley, a guerra seja um quadro ainda mais cruel do que já se sabe. Stanley sobreviveu ao terrível retrato da guerra, onde perdeu seu irmão mais velho e muitos companheiros, e como era de se esperar, nunca mais foi o mesmo.

Em 1918, Stanley retorna à pequena Coockham, mas muito havia mudado não apenas em Stanley, mas na própria Cookham que antes conhecera. Muitos daqueles que lhe eram próximos haviam morrido. Nesse doloroso período de retorno, Stanley foi contratado para pintar quadros memoriais em honra aos que haviam morrido na guerra.  

Stanley estava mergulhado em depressão quando voltou a pintar temas de seu interesse. Nessa época, nas passagens bíblicas sobre o poder de Jesus sobre a morte, Stanley encontrou a motriz para o retorno triunfal de sua carreira artística. Stanley se lança à pintar  as passagens bíblicas onde Cristo ressuscita os mortos, e em seus quadros, as passagens acontecem em Cookham. As personagens em que nos evangelhos recebem de volta a vida, em suas pinturas, são seus velhos amigos de Cookham.

Em sua obra mais famosa, “A ressurreição”, Stanley colore com seu magnífico imaginário, o retorno de Cristo em Cookham. Os mortos ressuscitando, os túmulos se abrindo, e naquele evento, a grande oportunidade de reencontro com aqueles que ele amava.

Passei dias com a história de Stanley em mente. Em uma manhã corrida, trabalhando com os internos de uma penitenciária local, um dos internos me questionou, “o senhor está de vagar, heim. Não vai orar conosco como sempre faz?” (aqueles eram dias difíceis para mim).

Eu não havia notado a dimensão que as minhas atitudes para com aqueles rapazes, pintavam algum tipo de imagem de Cristo (embora eu não tenha aptidão para a pintura). Daí eu percebi, que no nosso dia a dia, essa imagem de Cristo que expomos, pode trazer esperança ou não para os que nos olham.

Existem eventos polêmicos da vida de Stanley, como seus casamentos fracassados e cenas obscenas retratadas em sua obra posterior, mas gosto de lembrar da imagem de Jesus poderoso dando vida à uma vizinhança triste. Às vezes gosto de lembrar de Stanley, e deixar a imaginação dele sobre Cristo colorir o meu mundo.    
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