Ao visitante

A Procura do Impossível trata-se dos momentos nos quais me lembro que, por trás do cotidiano, existem coisas incríveis.

B.W Riccardo


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O Reino como uma terra distante

“Percebi, que os contos de fadas que minha babá me contava, me faziam mais bem que toda a teoria do homem moderno”. G.K. Chesterton

Mas Jesus lhes ordenou: “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas”. Mateus 19.14


Como na postagem anterior, começo a narrar minha própria experiência em acreditar que Deus esconde em lugares inusitados, certas pistas de como encontrarmos seu Reino. As mais confiáveis estão na Bíblia, as seguintes, entre outras, estão nos contos de fadas.

O Reino como uma Terra Distante

Para Légui minha prima, e os livros rosas de princesas que ela carrega.

Peter por anos tem trabalhado muito. Como um homem de negócios, as exigências da vida, as oscilações do mercado financeiro, alteraram drasticamente seu humor, suas convicções, e o mais trágico: suas lembranças.

Peter foi herói na minha infância. Queria eu ser como ele a vida toda. Mas agora, como eu, Peter acorda muito cedo, não tem tempo para a família, para brincar, Peter não tem amigos. A correria de Londres, onde agora vive, sufoca Peter.

É esse o cenário no qual começa o enredo do que infelizmente, “foi” um dos meus filmes favoritos, “ Hook - A Volta do Capitão Gancho”. Genialmente trágico, aqui Peter, “o Pan”, interpretado por Robin Williams, deixa seu lar, a Terra do Nunca, onde os meninos órfãos são crianças para sempre.  Peter é órfão também, mas tem o dom de tornar a vida de seus seguidores sem escola e sem bons modos, uma vida feliz.

O que vemos em Hook, é que de modo parecido com a parábola, para Peter, “quando chegam as preocupações desta vida, o engano das riquezas e os anseios por outras coisas, sufocam... (Marcos 4:19)”, a semente da aventura eterna nele, e ele não sabe mais voar, e mais tragicamente, ele não brinca mais.

No meu post anterior, eu falei de quando perdi totalmente meu interesse pelo gênero fantástico. Filmes de ficção que antes eram meus favoritos, no meu novo mundo não têm mais lugar. E diferente de Paulo, que quando se tornou homem deixou para trás as coisas de menino (I Coríntios 13.11), as abandonei não para avançar para a maturidade, como o apóstolo, mas as deixei por perder a inocência e a singeleza, a intensidade da aventura, como ocorreu com Peter e Robin. 

Na história, quando os meninos vem à Terra para levar Peter de volta ao seu lar, nos deparamos com o maior desafio, que não é tornar um menino num homem, mas levar um homem a ser novamente como criança.  A recuperar a fé de que um dia, as forças do mal, aqui personificadas em Capitão Gancho, acabarão por fim totalmente aniquiladas.


Eu comparo aqui a Terra do Nunca com o Reino de Deus na parábola das dez minas, porque um rei precisava ir a uma terra distante e depois voltar (Lucas 19. 11,12). E acreditar que seu reino estaria acabado só porque ele não estaria mais lá, não lhe ocorria. Então, o Reino não é uma fuga da realidade, mas a esperança concreta de que definitivamente um outro reino existe, nele, como na parábola dos lavradores (Lucas 20.9-16), o dono da terra voltará de uma terra distante e matará aqueles homens maus, as crianças vencerão os piratas que roubam-lhes a escola, e nós voaremos.   





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