Ao visitante

A Procura do Impossível trata-se dos momentos nos quais me lembro que, por trás do cotidiano, existem coisas incríveis.

B.W Riccardo


terça-feira, 15 de setembro de 2015

O Reino como uma semente mágica

“Percebi, que os contos de fadas que minha babá me contava, me faziam mais bem que toda a teoria do homem moderno”. G.K. Chesterton

"Os contos de fadas não dizem às crianças que existem dragões. As crianças já sabem que os dragões existem. Os contos de fadas dizem às crianças que os dragões podem ser mortos". G.K. Chesterton

Mas Jesus lhes ordenou: “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas”. Mateus 19.14

Peterson foi o primeiro que encontrei acreditando nisso. Talvez como grande parte dos seus leitores adultos, não entendia seu constante retorno a Tolkien e o seu “O Senhor dos Anéis”. Primeiramente, deve ter sido porque a muito perdi o interesse pelo fantástico, desde que não me considerei mais parte do público infanto-juvenil. Já Buechner, no “Evangelho como um conto de fadas”, revela o que me parecia ser “sua obsessão pelo Mágico de Oz”, porque acha que o incrível e as lições nessa mesma narrativa, o remetem a pensar no Evangelho.

Agora, começo a narrar minha própria experiência em acreditar que Deus esconde em lugares inusitados, certas pistas de como encontrarmos seu Reino. As mais confiáveis estão na Bíblia, as seguintes, entre outras, estão nos contos de fadas. Neste exato momento, me faz todo sentido que só os que se tornarem semelhantes as crianças herdarão o Reino dos céus  (Mateus 19:14) , porque uma criança não duvidaria se você dissesse que Deus tem para elas um "País das Maravilhas". Eu na verdade não passaria a dar real credibilidade a E. Peterson, F. Buechner ou a C.S Lewis, se de súbito, não fosse levado a me desarmar do meu preconceito, e perceber que sobre óticas e para fins diferentes, os evangelhos e a história abaixo me levam a pensar na mesma coisa. 


O Evangelho segundo João e o Pé de Feijão

“Disse, pois: A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei? É semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou na sua horta, e que cresceu e fez-se árvore; e as aves do céu pousaram nos seus ramos”. Lucas 13.18 e 19


João era criança quando sua mãe o manda ao mercado negociar uma vaca. Um estranho oferece-lhe grãos de feijão mágicos, a semelhança das parábolas de Jesus, que afirma existir uma semente que se transforma num reino (Marcos 4. 26-29). E se você acha que João realmente precisava ser criança para realizar tal barganha, você acertou. João, a semelhança de “um homem, que tendo encontrado [um tesouro num campo], escondeu-o novamente. Então, transbordando de alegria, vai, vende tudo o que tem, e compra aquele terreno”(Mateus 13.44). João não precisava ver os resultados para crer, se existe grãos mágicos que podem nos levar ao céu, o que seria os nossos bens diante disso? João aceita o investimento que para dar retorno precisa ser semeado.

A mãe de João, como qualquer adulto, não pode mais acreditar, e fica furiosa, lança fora os grãos, que novamente, a semelhança das parábolas nos evangelhos, cresce a noite sem que ninguém veja (Marcos 4.27). Daí cresce o pé de feijão que dá a João acesso ao céu, onde vive um gigante que possui “uma fonte de ouro”.

Recentemente, uma versão de outra fábula, O Gato de Botas, mistura-se com a fábula de João, dando à história uma roupagem ainda mais próxima das parábolas bíblicas, porque para crescer, os grãos precisavam ser semeados no terreno certo (Mateus 13.23).

Em algumas partes do mundo, ou em alguma parte de nossas vidas, a semente que simboliza a Palavra de Deus na parábola de Mateus 13, se tornou aos olhos dos homens apenas um conto de fadas antiquíssimo. E novamente, ninguém pode entrar no Reino, por que quem teria a capacidade de acreditar que uma semente pode nos levar para onde estaremos livres do julgo deste tempo, se não uma criança? Que rei se não Josias ainda moço, ao encontrar o Livro, acreditaria de todo o coração que as palavras ali escritas eram verdade? (II Cronicas 34).

João, como são as crianças, nos ensina não com o que ele diz, mas com o que ele faz, porque as atitudes dizem muito sobre o que somos e o quanto cremos, e mesmo uma mãe que pode simbolizar um mundo descrente, não pode impedir que as sementes de João cresçam, e o leve mais alto do que as pessoas que não conseguem ver nos grãos mágicos, nada além de grãos de feijão.

Tanto Buechner quanto Chesterton já tentaram me explicar antes, que acreditar em algo como grãos que podem chegar a um reino sobrenatural, é tão absurdo quanto conseguir viver neste mundo sem acreditar em nada, mas, parece que é João que consegue me explicar melhor.  




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